Tão importante quanto saber guerrear é saber qual arma utilizar na guerra.

Este é o conceito de metagaming, obviamente é importante saber jogar bem com o deck escolhido para o torneio, mas tão importante quanto saber jogar com ele é saber ajustá-lo para combater os decks mais esperados para determinado campeonato. Brad Nelson é provavelmente o melhor jogador quando se trata de leitura do meta, uma boa leitura do field em junção com bastante experiência com as interações do deck é metade do caminho para se obter um bom resultado.

No último fim de semana dias 17/12 e 18/12 rolou o Player’s Championship da Starcity Games, o qual reunia os 16 melhores jogadores do circuito SCG do ano de 2016. Era possível se classificar de diversas maneiras: Sendo campeão do PC do ano anterior, vencendo um Invitational ou sendo Points Leader da season. Um torneio com os 16 melhores jogadores do ano exige três coisas muito importantes:

  • Um psicológico forte o suficiente para não se deixar levar pelas derrotas.
  • Muito treino e experiência com os decks escolhidos.
  • Uma boa previsão do metagame.

A parte complexa de prever um field de apenas 16 pessoas é que alguns tinham muita experiência em alguns arquétipos (em todos os 3 formatos), algo que tornava o “sei que você sabe que eu sei que você sabe” a escolha do deck mais complexo ainda. Com 16 players tivemos 12 decks diferentes no formato Legacy.

Max McVety se classificou por ganhar um Invitational. Antigamente os Invitationals da SCG eram divididos em 8 rodadas de Standard e 8 Rodadas de Legacy, desde o primeiro INVI desse ano o Legacy deixou de ser um formato oficial e foi substituído por 8 rodadas de Modern. Max é um exímio jogador de Magic, mas T1.5 não é sua especialidade, o que diminuía suas chances de ganhar o Player’s Championship. O deck escolhido pelo McVety foi UG Infect, nenhuma tech diferente, lista bem reta, provavelmente esperava por muitos decks de Raio e poucos de Decay, por isso apenas 2 Vines no maindeck, segue a lista utilizada:

Max McVety.png

Os decks de Delver têm uma vantagem muito grande em um field pequeno e conhecido: podem ser adaptados para qualquer situação, devido à essa versatilidade, 4 jogadores escolheram jogar com variantes de Delver: Andrew Tenjum de Grixis , Jim Davis de BUG e Kevin Jones e Brad Carpenter de 4 C.

Andrew Tenjum.png

As 75 de Tenjum seriam 100% convencionais se não fosse pelo Leovold no slot onde geralmente usa-se Vendilion Clique ou True-Name Nemesis. Devido ao grande número de deck azuis esperados no PC o Leovold torna-se uma arma perfeita para combater o mirror de azul já que ele atrapalha todas as cantrips adversárias e mesmo que morra assim que entrar em campo ainda te dá um draw.

Já Jim Davis escolheu jogar com o deck que ele vem usando há quase 2 anos sem trocar, o BUG Delver. Um deck que é basicamente o Canadian Treshold sem o vermelho e com a adição do Preto para Deathrite Shaman, Dark Confidant e Abrupt Decay.

Jim Davis.png

Já os companheiros de equipe, Kevin Jones e Brad Carpenter resolveram utilizar o 4C Delver popularizado pelo Ben Friedman. O baralho é um mashup de Grixis Delver com BUG, utilizando Lightning Bolt e Abrupt Decay como removal e as cores azul e preta como cor das Threats. O side desse deck é bem focado em hates específicos como 3 Surgical para combater Storm e Lands e Diabolic Edict contra o Marit Lage e as criaturas do Sneak and Show.

Kevin Jones.png

Legacy não é a praia do Liam Lonergan, mas já que ele ganhou o INVI pilotando elfos no modern, que mal faria se jogasse com os verdinhos no legacy?

Liam Lonergan.png

Um maindeck quase idêntico ao do Elfo que fez top 8 no GP Chiba, Liam resolveu focar seu deck para combater Delver decks (matchups onde o deck já se sai bem) e bater de frente com Miracles (uma das piores matchups pro baralho), a Nissa e o Leovold no main com o Ruric Thar no side fazem bem o trabalho de atrapalhar a vida do miracles (com um alvo bem na testa do Joe Losset).

Não é surpresa pra ninguém que Andrew “The better Jessup” Jessup também escolheu os pequenos verdinhos para tentar conquistar essa vitória. Porém ele não quis utilizar as “novas tecnologias” de Nissa, Leovold e Caverna e optou por jogar de BG puro provavelmente por estar mais acostumado com essa versão.

Andrew Jessup.png

  1. Gerry Thompson era provavelmente o jogador que joga legacy há mais tempo que todos os outros do torneio, com resultados desde 2005 (jogando de RW Goblins) Gerry usa de sua experiência para obter alguma vantagem sobre os jogadores que não tem o Legacy como formato prioritário. Não é a primeira vez (e talvez não seja a última) que Gerry T. batalha com esse Grixis control, tendo feito top 64 com ele no GP Chiba, foi confiante de que seria uma boa escolha para o Player’s Championship, aparentemente as coisas não se saíram como ele esperava e abriu 0-2 perdendo para um Delver Deck e para um Lands, todavia, para um field grande esse Grixis Control é uma boa pedida, jogando bastante como um Delver deck mas com algumas formas de card advantage que os Delvers não utilizam (pelo menos não de maindeck) como Baleful Strix e Painful Truths, talvez esse deck não seja a solução para o field do Legacy, mas é uma lista bem consistente e relevante num field com poucos Lands e Death and Taxes.

Gerry Thompson.png

Todd Stevens, um jogador conhecido por criar o Sun and Moon no modern e por ser um exímio jogador de Standard, pro Legacy ele escolheu jogar não com apenas um , mas dois Leovolds no Shardless BUG. Apesar dos 2 Leovolds, o maindeck escolhido por Todd é bem padrão, com a remoção do Toxic Deluge do maindeck diretamente para o side. Acredito que ele utilizou muitos slots do side para combater estratégias muito agressivas como DnT e Merfolk e foi surpreendido por ter um field com mais consistência invés de mais agressividade.

Todd Stevens.png

Joe Losset não surpreendeu ninguém quando apareceu com seu querido Legends Miracles, lista bem parecida com a que ele vem utilizando ao longo do ano para obter inúmeros top 8s. Apesar de estarem no side para combater os Eldrazis, as duas cópias de Moat brilharam bastante contra Tokens de Pyromancer e True-Name Nemesis. A boa leitura do field de Joe o fez utilizar 3 Flusterstorm que o protegeram dos Delvers com Stifle e claro, do Storm. Vale lembrar que no PC de 2014 Joe abandonou o seu querido Miracles para jogar de 4 color Reanimator e as coisas não aconteceram da maneira que ele gostaria (a famosa tomada de fumo).

Joe Losset.png

Do outro lado do espectro do controle tínhamos 2 jogadores que escolheram o Lands como sua arma para o torneio. Tom surpreendeu novamente com um deck que nunca havia jogado antes (em 2015 o time todo de Roanoke jogou de DnT, surpreendendo a todos) e conseguiu fechar 2-1 na porção Legacy do PC. A utilização de Barbarian Ring no maindeck é uma concessão à Sanctum Prelate, que é quase um hard lock contra o deck caso o 2 seja escolhido, o Ring também serve para lidar com Shamans e Delvers pelo caminho. A utilização da Ancient Tomb no maindeck é para tornar o deck mais rápido no g1 e facilitar o cast dos artefatos de Hate que ficam no sideboard.

Tom Ross.png

Jacob Baugh foi o outro piloto de Lands, Jacob resolveu jogar de combo em todos os formatos, Marvel no Standard, Dredge no Modern e Lands no Legacy. Com mudanças sutis no maindeck em relação à lista do Tom (Jacob roda 4 Fetchlands enquanto Tom usa 3, Jacob usa Tranquil Thicket onde o Tom usa Canopy e Boseiju no main para Baugh e no side para o Ross). É importante ressaltar que Jacob utilizou 4 Chalice of the Void e 1 Trinisphere onde o Tom usou 3 Sphere of Resistance e 1 Chalice of the Void. Os Chalices são hates dedicados tanto contra combo contra Miracles e Delver decks, enquanto a Sphere atrapalha alguns midranges e afeta o desenvolvimento de jogo dos combos. A  Trinisphere está lá primariamente para impedir que o Omnitell faça Show and Tell e caste emrakul no mesmo turno (ou finalize o jogo com Release the Ants).

Jacob Baugh.png

Do outro lado da tabela de arquétipos, Todd Anderson e Brad Nelson escolheram um combo que além de consistente, ambos tinham muita experiência com o deck: Sneak and Show. Um deck relativamente difícil de hatear dedicadamente, SnT utiliza do plano de colocar uma Emrakul ou Griselbrand na mesa tão cedo quanto no turno 1. As 5 Sol Lands ajudam não só a conjurar Show and Tell e Sneak Attack mais cedo que o normal, mas também servem para resolver as spells em cima de Daze e Spell Pierce. Devido à sua ótima escolha para o meta, Brad Nelson abriu 3-0 na porção Legacy do torneio, provando que além de saber jogar, a escolha do deck(e de alguns números específicos no main e no side) podem te dar uma vantagem gigantesca. Muitas listas de SnT utilizam entre 2 e 4 Blood Moon no side, que podem ser boas contra Delver decks, todavia Brad e Todd resolveram jogar sem as moons e utilizar hates mais específicos já que acreditavam saber a escolha de decks de quase todos os jogadores (e acertaram em cheio).

Brad Nelson.png

Jeff Hoogland, o inovador entre os 16 players do campeonato, sempre deixou claro que Legacy não era sua especialidade, ao longo dos anos Jeff mudou de arquétipo dezenas de vezes, tendo muito sucesso com Aggro Loam em 2013 e Mono Red Sneak Attack agora em 2016, todavia, não ter focado muito no t1.5 o tornou um underdog no meio de tantos renomados jogadores de Legacy. O White Aluren é um deck bem novo no field que surgiu devido ao lançamento de Recruiter of the Guard (o Imperial Recruiter inverso), essa versão contém cartas melhores no side devido à adição de branco, no entanto, o deck é um combo lento e com pouca possibilidade de mudar para um deck agressivo quando necessário, seria uma ótima decisão num field com muitos miracles, mas devido ao alto número de Stifles e Spell Pierces o Aluren acabou sendo uma escolha não muito boa.

Jeff Hoogland.png

Caleb Scherer, a ficha de Storm em forma de guri, considerado atualmente um dos melhores pilotos de Storm, Caleb deixou bem claro que jogaria de Storm e quem quisesse levar o Player’s Championship teria que conseguir parar seu Tendrils letal. Um field lotado de Delvers, Stifles e com alguns counterbalances seria o pesadelo de muitos jogadores de Storm, mas não para ele, que é um mestre na arte jogar 10 Spells no mesmo turno. Com um maindeck bem interessante, a adição de 2 Chrome mox e o segundo Tendrils para adicionar a velocidade necessária para combar no turno 1 ou 2 num field de possíveis muitos counterbalances. A chrome mox no side mantém a mesma linha de pensamento de subir quando precisar de velocidade, as 9 cartas verdes para segurar os decks azuis e o Empty the Warrens que garante a chance de matar o oponente mesmo sem ter que fazer 9 ou 10 storm.

 

Caleb Scherer.png

Estes foram os deck utilizados no Player’s Championship que rolou no último fim de semana, você acha que alguma coisa vai mudar no Legacy? Leovold é tão forte assim? (resposta: sim, é forte demais) ? Mike Sigrist e Brad Nelson são a mesma pessoa? Tom Ross só consegue ganhar se usar sua jaqueta mágica? Essas são perguntas que talvez nunca saberemos a resposta, mas enquanto nos indagamos com essas questões vamos continuar a falar sobre Legacy! Sobre o que você gostaria de ler aqui no blog? Deixa comentários no Facebook ou aqui no blog.

 

Do seu amigo,

 

Bruno Orelha

bruno-oreia

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