Ano novo Field novo! Ou pelo menos quase isso.

No último fim de semana do dia 07 aconteceu o Grand Prix Louisville no formato Legacy, onde 1600 jogadores batalharam por 10 mil dólares, cinco jogadores conseguiram o recorde perfeito de 9-0 ao fim do primeiro dia, mas no final apenas os 8 melhores tinham o direito de disputar o título de campeão do GPLouisville!

Após passar 7-2 para o segundo dia, Reid Duke conseguiu um perfeito 9-0 no segundo dia, passando 6-0 pelo suíço e derrotando dois decks de combo e um Miracles para se consagrar campeão!

BUG TNN.png

Um deck fora do field que vem sido desenvolvido pelo Reid há algumas semanas(você pode conferir as playlists dos decks AQUI e AQUI), o qual abusa de 3 drops como True-Name Nemesis, uma espécie de mini-progenitus, que serve tanto como Moat tanto como um ofensor que não pode ser bloqueado e nem alvo de nada do seu oponente(e que diferente do progenitus, TNN pode ser equipado) e de Leovold, Emissary of Trest, uma das mais novas adições pro Legacy, que junto com Sanctum Prelate, Recruiter of the Guard e Palace Jailer tiveram impacto imediato no formato.

Com um sideboard desenhado para subir entre 2~4 cartas contra cada matchup e não desfigurar muito o deck. Do contrário que muita gente acredita, não é porque o deck tem Force of Will que ele tem uma matchup maravilhosa contra storm e outros combos no geral, devido à sua experiência no formato, Reid Duke utilizou não apenas 2 cópias de Flusterstorm mas também duas cópias de Mindbreak Trap para assegurar que sua matchup contra os decks unfair fossem tão boas como contra os fair decks.

E foi com essa ótima leitura de field e muito conhecimento do formato que Reid “The Duke” Duke foi o campeão do GPL.

O top 8 continha muitos nomes conhecidos: Reid Duke, Michael Majors, Craig Wescoe, Brian Braun Duin e Andrew Sullano(que apesar de não ser um pro player é um consagrado jogador de Legacy e fez top 8 no último Eternal Weekend com o mesmo deck que fez top 8 neste GP).

BR Reanimator.png

Um deck extremamente barato para os padrões do Legacy e que vem fazendo inúmeros resultados expressivos ao redor do globo nesse último ano. A quantidade de free spells é crucial para seu sucesso, com 10 acelerações na forma de 4 Lotus Petal, 2 Chrome Mox e 4 Dark Ritual o baralho consegue reanimar com frequência no turno 1, e com proteções na forma de Thoughtseize, Unmask e abrir com Chancellor of the Annex dificultam ou impossibilitam seus oponentes de interagir.

Resultados recentes comprovam que o deck é muito mais consistente do que se pensava, quem sabe o BR Reanimator não seja o deck to Beat no Nacional legacy?

 

Sneak Attack.png

Cody Napier pilotou essa versão bem convencional de Sneak Attack, sem firulas no maindeck e com um side bem definido: Counters, Boseiju e Jace contra controle, Leyline contra combos e descartes e Omniscience contra Karakas/Ensnaring Bridge.

Death and Taxes.png

Craig Wescoe pilotando um baralho de pequenas criaturas brancas? Nada de errado por aqui.

Segunda vez que um Death and Taxes faz top 8 pós-Conspiracy, isso só prova que Recruiter of the Guard e Sanctum Prelate estão aqui para ficar.

Craig optou por Faerie Macabre em seu board para conseguir hatear reanimator mesmo sob efeito de Chancellor. Os dois Gideon estão ali para combater todos os midranges do formato(estou falando de vocês, Shardless, Stoneblade e Miracles). No top 8 Craig perdeu para o BBD de Miracles, uma matchup bem complicada e pilotada por um monstro do formato, e que após conquistar a Monarquia controlada pelo Craig, BBD venceu a partida.

 

Grixis Delver.png

Nate Barton e Charles Hinkle utilizaram as mesmas 60 cartas no maindeck, todavia utilizaram cartas diferentes no side e vou ressaltar as mudanças entre as listas

Nate:

1 Cabal Therapy
2 Surgical Extraction
1 Sulfuric Vortex
1 Flusterstorm
1 Pyroblast
1 Winter Orb
1 Dread of Night
1 Fire Covenant
1 Null Rod
2 Baleful Strix
1 Abrupt Decay
1 Pithing Needle
1 Ancient Grudge

 

Charles:

1 Cabal Therapy
2 Pyroblast
2 Flusterstorm
2 Baleful Strix
1 Engineered Explosives
1 Surgical Extraction
1 Pithing Needle
1 Darkblast
1 Ancient Grudge
1 Winter Orb
1 Sulfuric Vortex
1 Painful Truths

Enquanto Nate focava mais nas fair matchup como DnT e Eldrazi, Charles focava nas unfair como Omnitell e Storm. Os dois jogadores de Grixis do top 8 perderam nas quartas de final, um para Reanimator e o outro para BUG, quem sabe eles não tivessem trocado os oponentes entre si um deles teria levado o campeonato?

Miracles.png

Brian Braun Duin, reigning World Champion, the supreme master of puns, o gordinho careca que todos amam, não surpreendeu ninguém quando terminou o primeiro dia 9-0 de Miracles. BBD disse em seu facebook que preferiu jogar com a lista com Mentors por estar mais acostumado com ela, os Explosivos Fabricados no maindeck são para combater Delver, DnT e quebrar os Chalices do Eldrazi, ótimo meta call. Em seu side as duas cópias de blood moon são para combater os decks de manabase unfair, algumas listas de miracles vêm utilizando Ruination ou From the Ashes mas ambas podem ser anuladas por Warping Wail, assim fazendo a Blood Moon uma escolha superior para a matchup.

E por último mas não menos importante temos Michael Majors de BUG Delver.

BUG Delver.png

Versão conhecida como double black Delver, foi popularizada pelo Malimujo no mol, Europeu especialista em Legacy,  que teve um recorde de “apenas” 125-0 em Legacy Leagues nos últimos 2 meses.

Este BUG Delver é baseado no antigo Team America, focado em resource denial e em finalizar o jogo com uma threat a qual o oponente não terá recursos pra responder.

Apesar de ter alguns números meio estranhos no side, eles têm justificativa. Apesar dos Dead Weight serem similares à Disfigure, os DW não flipam Delver, todavia quando caem no graveyard pumpar o Tarmogoyf e é um “disfigure” que pode ser dado em Monastery Mentor que irá matá-lo mesmo se o oponente responder jogando uma spell e triggando o Prowess. Os Jaces do side transformam o deck em um “Shardless-less” BUG , capaz de agredir no começo do jogo e ainda finalizar o late game com muitos recursos.

E falando sobre decks com descarte no Legacy, em 2005 no Gran Prix Philadelphia Chris Pikula(A.K.A. Meddling Mage) ficou em segundo lugar com um BW Discard, que foi chamado de DEADGUY ALE, em homenagem ao nome do time de Chris, o time Deadguy.

Deadguy Ale.png

O overload de descartes e com 8 LDs faziam com que o deck tivesse muitas free wins até mesmo contra as piores bad matchups. Os Dark Ritual permitiam um começo unfair vindo de um deck fair, como Duress + Hymn to Tourach ou até mesmo 0 épico Double ritual + Bob + Espectro Hipnótico. As Engineered Plague de maindeck eram uma resposta direta para Goblins e outros tribais. As Swords to Plowshares do side entravam contra aggros, os Withered Wretch funcionavam como um predecessor do Scavenging Ooze, e os Phyrexian Negator contra controles sem criaturas para blocká-lo.

Durante muito tempo Hymn to Tourach foi a escolha de descarte no Legacy, ao longo dos anos muitas coisas mudaram e hoje em dia, com inúmeras opções, outros tipos de descarte são utilizados. BBD utilizou Thoughtseize e Inquisition of Kozilek em seu Esper Deathblade em um Invitational da SCG e obteve 3º lugar. O que prova que num formato com curva baixa como o Legacy, Inquisiton of Kozilek muitas vezes faz o mesmo trabalho do Thoughtseize sem ter o drawback de perder 2 pontos de vida.

Deathblade BBD.png

Versão sem FoW no maindeck e focada no preto para muito hand disruption, é uma versão que não é mais utilizada recentemente mas que pode ser um ótimo meta call se houver muitos combos no field.

Outra utilização de descartes de maneira não-usual é a lista de Food Chain do Eli Kassis. Eli é bem conhecido pela comunidade Legacy e Vintage por ser um ótimo deckbuilder e sempre utilizar listas próprias e bem posicionadas.

Food Chain.png

Utilizando apenas 4 descartes, uma cópia de cada, Eli afirma que cada um função diferente para diferentes etapas do jogo, e com bastante card draw(Brainstorm, Ponder e Manipulate Fate) ele consegue encontrar facilmente o descarte que precisa na situação necessária.

Você pode ver o deck tech do Eli AQUI.

É interessante ver a utilização das mesmas cartas em fields diferentes para poder calcular se são boas ou não nos dias de hoje.

Espero que tenham gostado do artigo da semana, o Gabriel Oliveira que deu a ideia de falar sobre descartes.

 

Até semana que vem!

Do seu amigo,

 

Bruno Orelha

bruno-oreia

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