Despedidas são sempre muito difíceis, principalmente se vocês tinha um grande vínculo.

Na última segunda-feira dia 24 mais um amigo nosso foi pra vala, dessa vez na forma do Peão do Baú. Muitas reclamações foram feitas depois da confirmação do ban(que já era algo esperado há um certo tempo), alguns dizendo que baniram a carta errada(eu incluso), outros dizendo que já foi tarde, mas talvez a real questão seja: Foi JUSTO o ban ou foi apenas mais uma maneira da Wizards controlar o formato?

O que faz algo ser banido no Legacy? Power Level? Ser chato de se jogar contra? Ou será que o fator de jogadores demorarem demais durante as ativações do tampo e portanto as rodadas dos grandes torneios eram atrasadas?

Bem, vamos começar pelo motivo pelo qual uma carta é banida no Legacy:

December 2010 – Survival of the Fitest is Banned

“In recent months, Survival of the Fitest decks have been outperforming other decks in Legacy. This has caused the competitive format to become significantly less diverse. This has reached a point where the DCI concluded that it is appropriate to ban a card.”

January 2015 – Treasure Cruise is Banned

“Blue-Red Delver decks have been so successful at tournament play that they are hurting the diversity of the format. While other decks can have some success, the diversity is significantly less than it had been. Treasure Cruise is banned.”

A Wizards gosta de deixar claro que prejudicar a diversidade do formato é algo muito sério. No entanto, nos últimos 2 anos muitos decks foram criados e/ou se solidificaram como arquétipos reais mesmo durante a era da ditadura do tampo. Grixis Delver, 4 Color Loam, Eldrazi, Infect e muitos outros decks que já faziam parte do formato garantiram um slot como decks to beat. O site TC Decks fez uma tabela explicativa do porque o Miracles era o melhor deck dos últimos 2 anos:

 

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Ou seja, mesmo com um field relativamente diverso, o Miracles continuava sendo o deck com mais vitórias mesmo os 3 últimos GPs não tendo sido ganhos por um Miracles(Infect, Storm e BUG Midrange).

O deck que tem mais vitórias que qualquer outro arquétipo durante um período de quase 2 anos pode SIM ser considerado o Best deck, mas esse fato sozinho pode não ser o suficiente para tirar tampos das mãos dos vencedores.

É aqui que o segundo fator relevante entra: uma carta atrasar rodadas não necessariamente resultaria em um ban, mas o melhor deck do formato, o deck mais jogado utilizar a carta que atrasa rodadas com certeza tem um peso muito grande quando falamos em banlist.

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É inegável que o ban foi justo, talvez não o ban que queríamos, mas o ban que MERECÍAMOS.

Como não adianta chorar sobre o leite derramado(leite de soja, pra deixar bem claro! haha) vamos falar sobre o impacto que esse ban terá no formato:

  • Decks tier 1.5 ou melhor ficando mais fortes
  • Decks Tier 2 ou pior perdendo forças.

Com a saída do Countertop do formato os decks de que giram em torno de ter abundância de custos 1 se tornam melhores, eles são:

  • Todas as variantes de Delver.

Apesar de algumas vertentes de Delver terem matchup bem favorável contra Miracles(BUG e 4 Color), a ameaça de um Terminus seguido de um soft-lock de countertop era o suficiente para combater qualquer Delver.deck, sem Milagres no field as variantes de Delver ganham uma edge bem relevante contra todo o resto do formato.

  • Elfos

Ao longo dos anos o Elfos foi lentamente se transformando de um deck full combo para um midrange com backup de combo, isso o transformou num deck absurdamente consistente e que tem potencial para destruir qualquer fair deck. O maior problema do deck era enfrentar um Miracles, que além de Countertop ele ainda teria um mar de Terminus que o impediam de exercer seu gameplan, sem a ameaça do Miracles, acredito que Elfos seja um novo tier 1. #comprejáseuberço

  • Storm

Apesar de Storm não ter uma matchup abismal contra Miracles assim como era no caso do Elfos, eventualmente o countertop impedia que o storm finalizasse o jogo, além do fato de Flusterstorms, Vendilion Cliques vindos do sideboard só piorassem a matchup, com o miracles fora o Storm tem chance de ser dominante.

  • Lands

Um deck que era um controle e se transformou num combo-control, Lands sofria para o lock de Counterbalance + Tampo, com isso fora do formato o Lands pode continuar com suas matchups favoráveis contra Delver e focar seu side nas matchups unfair.

O outro lado do prisma é que alguns decks utilizavam o tampo como apoio para se manterem de pé, esses decks eram:

  • Nic Fit

Nic Fit era um BGx ramp que utilizava Veteran Explorer e Sac Outlets para rampar, utilizava de Pernicious Deed e spot removals para se proteger e utilizava uma engine de Green Sun’s Zenith para buscar ramps ou bombas como Thragtusk e finalizar o jogo, sem o tampo o deck perde toda a manipulação de topo que tinha, assim o tornando muito frágil no mid e late game pois depende do o topo vai dar para ficar vivo ou finalizar.

  • 12 Post

Baseado em utilizar a POST Engine para rampar, o 12 post necessitava de Tampos para encontrar seus fogs ou end gamers, com suas diversas maneiras de embaralhar o deck e de gerar quantidades absurdas de mana o post abusava do Divining Top, mas sem manipulação de topo o deck fica sem ter o que fazer com as manas sobressalentes e tem suas tricks(virar pra comprar com o Tampo, com a habilidade na pilha dar um Repeal para comprar duas cartas e não ter o tampo no topo) além do fato de seu ótimo late game ser transformado em medíocre.

  • Painter

Painted Stone era o deck(e suas variantes de diversas cores) que abusava de sol lands e Simian Spirit Guides para fazer uma Moon effect e lockar o oponente, além de utilizar o Painter para adicionar a cor azul à todas as cartas de todas as zonas e transformar os Pyroblast e Red Elemental Blast em Vindicate com flash, no entanto, o deck utilizava de tampo para diversas tricks, uma delas era olhar o tampo, sequenciar duas cartas ruins e uma boa no topo e se millar com a Grindstone para limpar o topo, também tinha a possibilidade de virar o tampo para comprar, com a habilidade na pilha trocar o tampo da mesa por algum artefato do cemitério com o Goblin Welder e dar um draw “free”. Por ser um combo sem azul o baralho não tem manipulação nenhuma de topo, sem o Tampo o deck perde o uso das manas extras das Sol Lands, tricks de Welder e torna o lock de Ensnaring Bridge fica pior, pois sem saber o que vai comprar você pode comprar múltiplas cartas pesadas seguidas e ficar impossibilitado e esvaziar a mão. Não acredito que o Painter monored sobreviva sem tampo.

Em suma, tirando o nosso querido Tampinho não apenas matamos o Miracles(não, não tem como jogar sem tampo), mas também enfraquecemos ou até extinguimos arquétipos de menor tier, mas um homem tem que fazer um que um homem tem que fazer. O fator positivo é que com certeza o formato vai mudar bastante com a ausência do Tampo, espero que novos arquétipos sejam criados ou antigos revitalizados!

TL//DR : Eli Kassis foi o motivo que o Tampo foi banido!

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Fica aqui aquele abraço do seu amigo Orelha!

 

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